E-commerce cosméticos

O erro estratégico que as marcas de cosméticos ainda cometem no e-commerce

Durante anos, o e-commerce foi tratado pelas marcas de beleza como um problema resolvido. Um canal a mais, uma vitrine digital eficiente, um checkout moderno sustentado por mídia e influência.

Os números cresceram. O tráfego aumentou. As vendas vieram.
E, ainda assim, algo ficou para trás.

Hoje, o maior erro estratégico das marcas de beleza na América Latina não é não investir em e-commerce.
É investir nele da forma errada.

Enquanto o mercado digital do setor cresce de forma consistente há mais de uma década, muitas organizações ainda operam o e-commerce como uma extensão tática do marketing, desconectada da operação, dos dados e da tomada de decisão estratégica.

O resultado é um paradoxo silencioso e perigoso:

  • o canal online cresce, mas a eficiência não acompanha;
  • a dependência de mídia aumenta, mas o conhecimento do cliente segue superficial;
  • o volume escala, mas margem, previsibilidade e controle ficam pelo caminho.

O problema não está no digital. Está na forma como ele é concebido dentro das empresas.

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Receita no mercado de comércio eletrônico de beleza e cuidados pessoais na América Latina de 2017 a 2030. Fonte: statista

Um crescimento que expõe o erro

Segundo dados da Statista, o e-commerce de beleza e cuidados pessoais na América Latina deve atingir US$ 15,8 bilhões até 2030, após dez anos consecutivos de crescimento.

Esse dado, isoladamente, poderia ser interpretado como sucesso. Mas quando analisado com mais profundidade, ele revela algo mais relevante: o crescimento do digital não foi acompanhado, na mesma proporção, por maturidade operacional e estratégica.

Não se trata de um pico momentâneo causado por pandemia ou digitalização forçada. Trata-se de um movimento estrutural, resiliente, que atravessa diferentes ciclos econômicos. E justamente por isso, ele expõe com mais clareza as fragilidades dos modelos atuais.

A grande oportunidade ainda não foi capturada

Em 2025, apenas 17,3% das vendas totais de beleza na América Latina acontecem via e-commerce, com projeção de atingir 19% até 2030. Mais de 80% do mercado ainda está fora do online.

Esse dado muda completamente a leitura estratégica.

Não estamos diante de um mercado saturado. Estamos diante de um mercado que cresce rápido, mas a partir de uma base ainda pouco digitalizada. Isso significa que o jogo competitivo não está decidido. Pelo contrário.

As decisões tomadas agora, sobre modelo operacional, uso de dados, integração entre áreas e estrutura de execução, vão determinar quem lidera essa próxima fase e quem apenas participa dela.

Participação de mercado do comércio eletrônico de beleza e cuidados pessoais na América Latina de 2017 a 2023. Fonte: statista

O maior erro: tratar e-commerce como canal de venda

A maioria das marcas de beleza ainda trata o e-commerce como um canal de conversão. Um lugar onde se investe em mídia, se otimiza UX e se mede resultado por vendas e ROI de campanha.

Esse modelo funciona até certo ponto. Mas ele não sustenta crescimento consistente.

No setor de beleza, onde recompra, recorrência, ticket incremental e relacionamento de longo prazo são decisivos, o verdadeiro valor do digital não está apenas no checkout. Está na capacidade de aprender com cada interação.

Quando o e-commerce é tratado apenas como canal, ele gera vendas.
Quando é tratado como infraestrutura, ele gera inteligência.

Dados não são subproduto. São ativo estratégico.

Cada pedido online carrega sinais valiosos: frequência de compra, preferências por categoria, sensibilidade a preço, resposta a campanhas, comportamento promocional, tempo de recompra.

Quando esses dados ficam restritos a relatórios de performance, seu valor é limitado. Quando passam a orientar decisões de negócio, tornam-se um ativo estratégico.

No setor de cosméticos, onde tendências mudam rápido e o ciclo de produto é dinâmico, decidir melhor é mais importante do que vender mais. Dados bem estruturados permitem reduzir dependência de mídia, planejar portfólio com mais precisão, antecipar demanda e alinhar marketing, operação e supply chain.

Sem isso, o crescimento digital acontece, mas acontece no escuro.

Execução: onde a estratégia se perde ou se consolida

À medida que o e-commerce cresce, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na visão estratégica e passa a estar na execução.

Isso inclui:

  • logística previsível e fulfillment eficiente
  • gestão de estoque orientada por dados reais de consumo
  • experiência consistente do clique à entrega
  • atendimento conectado ao histórico do cliente
  • capacidade de escalar campanhas sem colapsar a operação

No e-commerce de beleza, a experiência não termina no site. Ela se consolida na entrega, no pós-venda e, principalmente, na próxima recompra.

Marcas que ignoram essa lógica até crescem. Mas crescem com fricção, custo elevado e baixa previsibilidade.

O futuro pertence a quem trata o digital como sistema de negócio

O crescimento do e-commerce de beleza na América Latina não aponta apenas para mais vendas online. Ele aponta para uma transformação mais profunda na forma como as marcas se organizam.

O canal direto deixa de ser opcional.
Os dados deixam de ser suporte.
A operação deixa de ser bastidor.

As marcas que vão liderar esse mercado entendem que o e-commerce é o sistema nervoso do negócio, conectando dados, operação e relacionamento com o cliente em tempo real.

Não se trata de digitalizar o varejo tradicional. Trata-se de construir uma base sólida para crescer com inteligência, controle e visão de longo prazo.

O erro estratégico não está em apostar no digital. Está em não evoluir a forma de operá-lo.

Selia Intelligent Commerce: quando o e-commerce de beleza vira estratégia de negócio

O crescimento do e-commerce de beleza não depende mais apenas de tráfego, mídia ou novas funcionalidades de loja. Ele exige decisões mais inteligentes ao longo de toda a jornada, conectando dados, operação e experiência de forma integrada.

É nesse ponto que muitas marcas travam. O digital cresce, mas a operação não acompanha. A margem se comprime, o controle se perde e a escala se torna instável.

A Selia Intelligent Commerce atua justamente nessa transição: ajudando marcas de beleza a evoluírem de um e-commerce tratado como canal para um modelo orientado por dados, com eficiência operacional, previsibilidade e controle real da operação.

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Artigo por Ângelo Vicente, CEO da SELIA Intelligent Commerce
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